Para fazer a diferença

Quando a perversidade cotidiana nos atacava, nos apoiávamos num sonho desbotado.

Quando as pressões e responsabilidades nos assaltavam, nos refugiávamos entre camaradas. Quando os obstáculos pareciam maiores que nossas pernas e forças, mentores nos impeliram além das capacidades manifestas.

Quatro anos se passaram como um sonho. Fomos testados, estimulados, censurados, renovados, superados e aperfeiçoados. A aprendizagem nunca termina, só muda de formato. E foi nos diversos moldes encontrados na faculdade que minha juventude foi forjada. Um mundo descoberto, de frustrações e descobertas. A formação da minha vida colocada em cheque noite após noite. Seria tudo isso realmente necessário para realizar um trabalho desacreditado por aqueles a quem me dirijo? Tantas vezes questionando a derradeira escolha. Diante de tantas habilidades, exigia um porquê que me carregasse. Cheguei a desistir. Mas não podia. Podia. Podia continuar em frente. Podia desde que amparada por aqueles que confiavam em mim.

Idas e vindas. Ilusão e desilusão. Se não encontrava o que eu esperava, concentrava-me no que ansiava que fosse. Depois de um período sabático dei ao jornalismo mais uma de tantas chances. Descobri brechas, possibilidades, alento e um ar fresco que vinha daqueles que conheciam o ingrediente secreto da sobrevivência em meio a tanta aridez: paixão. Não era necessário sujeitar-me à superficialidade amoral e aética. Era sim possível desafiar o sistema com sentimento, compromisso e entusiasmo. Acreditei mais uma vez que poderia fazer a diferença. Acreditaram que eu pudesse ser a diferença.

É a minha família e a motivados professores que dedico esta vitória. Eles estavam sempre lá. Quando meu espírito precisava ser renovado. Quando minhas conquistas pareciam insignificantes. Quando a rejeição destruía a confiança tão arduamente conquistada. Quando a surpresa do resultado me impedia de acreditar. Não há triunfo que valha a pena sem a dedicação equivalente. Assim me ensinou um daqueles mestres, logo no primeiro ano, citando o escritor Samuel Johnson: “aquilo que é escrito sem esforço geralmente é lido sem prazer”. Assim me comprometo a zelosamente me esforçar, a ser fiel a meus princípios, a superar-me dia após dia, a fazer a diferença. Porque fazer bem feito já é fazer alguma diferença. A vida precisa de poesia. Obrigada por trazerem alguma para a minha.

[por Daniela Urquidi, novembro de 2011, encerramento da faculdade de jornalismo]

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